quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Embalagens como estratégia de marketing

     Dizem que o importante é o conteúdo. Ledo engano quando se trata de marketing. Cada vez mais indústrias de variados segmentos investem em embalagens diferenciadas para os seus produtos visando o incremento das vendas. Pode ser caixa, sacola de plástico ou de papelão, o fato é que elas já não são meras coadjuvantes e ajudam a vender o produto, agregando valor ao mesmo. O consultor de marketing da Azov Consultoria (Rio de Janeiro/RJ), Luiz Antônio da Cruz Secco, comenta que as embalagens são fundamentais para o sucesso de qualquer marca. "A embalagem dá credilidade ao produto. Se o consumidor compra para si é porque deseja aquela marca e fica feliz, orgulhoso, de poder carregar uma embalagem com o nome dela. O mesmo vale se for para presente'', afirma. Segundo ele, a embalagem é um "outdoor ambulante'', no sentido de que outras pessoas poderão estar vendo o nome da marca em diversos locais diferentes.
     Quando ao material a ser utilizado, Secco aconselha seguir a "onda verde'', com farta utilização de produtos duráveis e que poderão ser reutilizados. "É mais caro, mas vale o investimento, pois a mesma embalagem poderá ser utilizada mais vezes, além de ganhar simpatia pela causa verde, que é uma tendência muito forte'', explica. As informações devem ser básicas, como o logo da marca e, no máximo o endereço da empresa na web, quando este não for óbvio. "Quando se fala em site, não posso deixar de enfatizar que é careta, antigo, colocar o 'www' na frente do endereço. Isso é desnecessário e as grandes marcas já não fazem mais'', informa o especialista. A embalagem deve ser o mais clean possível, mas de forte impacto visual. Para ele, parte da indústria calçadista ainda não tem dado a devida atenção para a embalagem, pois acaba delegando essa responsabilidade mais para o varejo. "Muitas lojas acabam colocando fora a embalagem quando ela não possui nenhum atrativo especial'', lamenta o consultor.

Detalhes fazem a diferença
     No Rio Grande do Sul duas certificações se destacam como peças de marketing e já estampam e podem estampar embalagens para calçados, visando agregação de valor através de qualidade e ética ambiental. Trata-se do certificado de Indicação de Procedência (IP) para o Couro do Vale do Sinos, recentemente outorgado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Este selo, que pode ser utilizado pelo calçadista que utiliza o couro acabado feito na região gaúcha do Vale do Sinos, é uma importante peça de marketing, já que as peles beneficiadas na região são conhecidas por sua qualidade e também ética com o meio ambiente.
     Segundo o coordenador do projeto e consultor Álvaro Flores, no que tange especificamente à IP, é facultado os fabricantes de calçados e acessórios colocarem o selo de controle em seus produtos ou na embalagem dos mesmos. "Também é possível, além do selo de controle, que o fabricante coloque na caixa dos produtos com indicação a referência ao programa (indicando que a empresa participa da IP)'', explica Flores, lembrando que, em ambos os casos, a utilização do selo torna visível ao consumidor um atributo de agregação de valor importante, funcionando sim como uma ferramenta de marketing. O segundo exemplo é o "selo verde'' Produção Consciente = Amanhã Mais Feliz, do Sindicato das Indústrias de Calçados de Três Coroas/RS.
     Conforme a certificação que obedece a diretrizes ambientais e sociais, a empresa selecionada por utilizar um selo alusivo ao programa. No caso de Três Coroas, como não há numeração específica do selo, as empresas têm utilizado o selo na caixa, muitas delas com uma explicação do que vem a ser o Produção Consciente = Amanhã Mais Feliz. Aí, sem dúvida, a informação contida na embalagem traz uma grande diferencial ao produto'', comenta Flores, que também coordena o projeto calçadista de Três Coroas.

Sustentabilidade é a tendência
     Apostando no caminho da sustentabilidade nasceu, há 15 anos, a INBOX Brazil (Curitiba/PR). A empresa que nasceu de uma ideia de sua fundadora e diretora comercial, a arquiteta Regina Eisenbach, fabrica embalagens transparente com PET. Quando iniciou suas atividades, porém, a indústria paranaense precisou abortar a produção de embalagens, já que na época em que foi concebida a ideia o material utilizado era o PVC, produto que sofria com um forte monopólio de mercado e só era vendido em grandes quantidades. Regina salienta que a marca vem trabalhando com PET há cinco anos e já colhe ótimos resultados. "Atuamos em diversos segmentos, mas a embalagem para calçado é o nosso carro-chefe'', afirma. Segundo ela, a ideia que permeou a criação, desde o seu início, foi a sustentabilidade. "Claro que acaba sendo mais funcional também, pois o consumidor pode ver o conteúdo da caixa, além de poder utilizar para outros fins'', explica a diretora.
     Para calçados, a empresa oferece caixas de tamanhos e espessuras diferenciadas, de acordo com o tipo do produto que vai embalar. "Outro diferencial de nossas embalagens é que elas possuem resistência ao empilhamento. Foram projetadas com cantoneiras para que suporte bastante peso'', comenta Regina, lembrando que a patente já foi requerida no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Sob o ponto de vista de marketing, as caixas também são eficientes, pois levam o nome da marca para diversas peças da casa, por exemplo. Ela comenta, ainda, que o custo-benefício é muito bom. "Na indústria calçadista temos muito forte a questão custo. O produto é mais caro, mas levando em consideração que pode ser utilizado várias vezes e para diversos fins acaba saindo barato'', conclui a diretora.

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