terça-feira, 26 de outubro de 2010

Portal sobre Sustentabilidade

Hoje a tarde descobri uma iniciativa louvavel enquanto navegava pela internet: O Itaú Unibanco acabou de lançar um portal exclusivo sobre sustentabilidade.

Certo, mas o que tem de tão louvavel em algo que todos fazem? É simples, o site reúne uma lista gigante de cursos de todo o mundo relacionados ao assunto - que são possíveis fazer online de qualquer lugar do Brasil - e uma biblioteca virtual completa que abrange todos os temas que se ligam à sustentabilidade e, ainda, inclui matérias jornalísticas em seu acervo e resumo de livros.





Claro, existe muito mais coisa, mas se você gosta do assunto, o portal é seu lugar certo! Acesse aqui.

Noticia obtida pelo ScienceBlog.

Compensação Ambiental e o Marketing Verde

     Greenwashing: Empresas e governo descumprem promessas de reflorestamento por compensação ambiental. Compensação ambiental vira tema publicitário recorrente, mas projetos não saem do papel. Prefeitura do Rio divulgou o plantio de 100 mil mudas entre o Parque da Pedra Branca e a floresta da Tijuca, mas não plantou uma semente sequer.
Terra nua. O Parque da Pedra Branca, no Rio, deveria ter sido reflorestado em compensação pelos Jogos Pan-Americanos. Foto de Marcos de Paula/AE
Terra nua. O Parque da Pedra Branca, no Rio, deveria ter sido reflorestado em compensação pelos Jogos Pan-Americanos. Foto de Marcos de Paula/AE
     O chamado marketing verde prolifera no País. Sob a bandeira da compensação ambiental, empresas e governos anunciam o plantio de milhões de árvores. Cumprir o prometido é outra história. O caso da prefeitura do Rio, que se comprometeu a reflorestar 40 hectares nos Jogos Pan-Americanos e não plantou uma semente sequer, é um exemplo de como essas iniciativas podem nascer e morrer no papel. Reportagem de Gabriela Moreira e Felipe Werneck, em O Estado de S.Paulo.
   Anunciado pela prefeitura do Rio, o plantio de 100 mil mudas de Mata Atlântica tinha o objetivo de compensar as emissões de CO2 geradas pela realização do Pan. Segundo inventário da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a plantação ocorreria entre o Parque da Pedra Branca e a Floresta Nacional da Tijuca. Nada consta no site do governo do Rio para a promoção da Olimpíada de 2016 como iniciativa de sucesso. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente diz que o plantio não ocorreu porque a Petrobrás, que seria parceira no projeto, “declinou”. Ao ver que a plantação não vingaria, a Coppe, responsável por centralizar os recursos, devolveu à Petrobrás R$ 491 mil. A Petrobrás afirma que “aguarda a definição da prefeitura e do governo de um novo cronograma para realizar a ação”.
     Em 2009, quando a cidade do Rio foi escolhida sede da Olimpíada, a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, anunciou: “Até 2016 vamos neutralizar a emissão de gases com a plantação de 24 milhões de mudas.” Nove meses depois, o projeto não andou. O governo diz que precisa mapear áreas aptas para reflorestamento e fazer levantamento dos viveiros. “Todos fazem esse blá-blá-blá verde, mas não existem mudas nem sementes no mercado para isso tudo”, afirma Telmo Borges, engenheiro florestal da superintendência de Biodiversidade da secretaria.
     Há ainda casos em que a propaganda ambiental é interpretada como enganosa, como ocorreu com a Rede Ipiranga, que teve recomendação para alterar um filme publicitário após queixa de consumidores. A Ipiranga prometia “neutralizar todo o gás carbônico que o combustível de seu carro lança na atmosfera”. Ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, consumidores alegaram que a propaganda era “enganosa e deseducativa, ao alimentar a ideia de que é possível queimar petróleo sem emitir CO2″.
     Em nota, a Ipiranga informou que plantou 130 mil mudas de caroba, ipê-amarelo, pitangueira e seringueira. O número reduzido de espécies foi alvo de críticas. “Não há projeto sério de compensação com monocultura. Para atingir a compensação deve-se ter no mínimo 80 espécies diferentes”, afirma o engenheiro Francisco Maciel. Segunda maior mineradora do mundo, a Vale anunciou em 2007 o plantio de 346 milhões de árvores até 2010. Na ocasião, informou que se tratava do “maior projeto de revegetação e preservação ambiental da América Latina”. Após alguns meses, o prazo foi revisto para 2015. Até agora, 25 milhões de mudas foram plantadas (7% do total). Segundo a Vale, a meta para 2015 está mantida.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Propaganda "Verde Desbotado"

     A propaganda “verde” cresceu cerca de 10 vezes nos últimos 20 anos, e triplicou desde 2006, de acordo com consultoria de marketing ambiental TerraChoice. Sinal de que o discurso sustentável está em alta – o que não significa, necessariamente, que a ação ecológica também está.
     Algumas empresas tentam tirar vantagem dessa onda verde, dizendo ao consumidor que seu produto é sustentável, quando não é. Essa malandragem ganhou o nome de greenwash (“lavagem verde”, em inglês). Em 2009, a TerraChoice analisou 2.219 produtos ecológicos nos Estados Unidos, e 98% deles apresentavam ao menos um problema de informação sobre suas características e qualidades. Por isso, é bom abrir o olho e checar se, de fato, os produtos são sustentáveis. Verdade Inconveniente separou algumas propagandas que ficaram conhecidas mundialmente pela distorção das características ecológicas. Confira:

 Reprodução

   O outdoor com fundo verde da montadora Chevrolet dá a entender que seus veículos consumem pouca gasolina e logo não consumirão nada. A propaganda faz referência ao primeiro carro elétrico da fabricante, que será lançado em 2011. O problema é que o Volt, como é conhecido o veículo, também poderá consumir gasolina para aumentar a potência do motor.

Divulgação
     A Nestlé lançou nos Estados Unidos modelos de garrafas d’água que consomem menos plástico, por conta de seu design curvilíneo. A propaganda vende o produto como amigo do meio ambiente, “Eco”. Reduzir o plástico não é suficiente para tornar a garrafinha ecológica. A empresa precisaria ter postos de reciclagem e mitigar as emissões causadas pela fabricação do produto, de acordo com especialistas. Sem tirar o fato de que, ecológico mesmo, é água filtrada da torneira, que não gasta plástico e, muitas vezes, é mais saudável do que o líquido engarrafado.

verdade-huggies
     A fabricante de itens para bebês Huggies vende nos Estados Unidos uma fralda supostamente ecológica, com “ingredientes naturais”. O único ingrediente é um pouco de algodão orgânico em seu exterior (quantidade não especificada), e 20% do seu pacote é feito de materiais recicláveis. E só. Com toda essa colaboração à natureza, criaram uma embalagem verde, repleta de folhas e com criança sentada na grama.

Reprodução

     O Conselho de Pele Animal do Canadá faz diversas campanhas para afirmar que a compra de casacos de pele pode ajudar a salvar habitats naturais. Em um cartaz com as palavras “ativista do meio ambiente”, coloca uma mulher vestida com peles de animais. A improvável afirmação é sustentada assim: “Comprando peles, você ajuda a manter as pessoas que vivem na região dos animais caçados. Eles  são quem mais se preocupa com o meio ambiente e, se algo acontecer na área, soarão o alarme que permitirá salvar a região de um desastre ecológico”.  Ou seja, dizimar a fauna local para abastecer a indústria têxtil é o que poderá salvar a região. 

Reprodução

     A Dell lançou em 2008 o desktop Studio Hybrid, como seu produto mais ecológico. O slogan da propaganda, em inglês, significa “desenhado para caber no seu ambiente enquanto o protege”. Segundo a fabricante, o computador de mesa é 80% menor e consome 70% menos energia do que seus concorrentes diretos. Mas sua fabricação polui o mesmo que um computador comum (confira aqui a poluição causada por um notebook “verde” da Sony).
     Desde 2006, o Greenpeace faz um ranking das empresas de eletrônicos mais verdes. Na última divulgação, feita em janeiro deste ano, a Dell estava em 14º lugar das 18º companhias analisadas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Brasileiros são os que mais crêem em propagandas de produtos verdes

codigo_florestal  Aproximadamente 91% acham que elas são importantes para informar o consumidor e explicar seus benefícios
  O crescimento do mercado “verde” vem sendo alvo de pesquisas mundo afora. A mais recente - 2010 ImagePower® Green Brands Survey - usou uma amostragem de 9 mil consumidores em 8 países -Alemanha, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido. A maioria deles (60%) diz que quer comprar produtos de empresas ambientalmente responsáveis.
Mais de 70% dos consumidores do Brasil, da Índia e da China afirmaram ter a pretensão de gastar mais com produtos “verdes” nos próximos anos. Os brasileiros se dizem mais preocupados com o estado do meio ambiente (72%) do que com a economia (25%), fato que se repetiu somente na Índia (59% meio ambiente versus 37% economia). Todos os outros países estão mais preocupados com o desenvolvimento de suas economias.
  Os brasileiros, contudo, são os que mais acreditam em propaganda de produtos “verdes” e 91% acham que elas são importantes para informar o consumidor e explicar seus benefícios. Já os franceses são mais céticos e não acreditam em propaganda “eco” ou “bio”, como eles mesmo dizem.
  Outra parte da pesquisa mostrou quais empresas os consumidores enxergam como as mais “verdes” no seus países. No Brasil, o primeiro lugar ficou para a marca de cosméticos Natura, que tem forte preocupação e atuação sócio-ambiental e comunica frequentemente estes valores para os consumidores

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Panasonic muda estratégia e promete ser verde

     O presidente da Panasonic anunciou, no começo de maio, um plano de três anos, chamado “Green Transformation 2012” (GT12), que lançará as bases para a Panasonic se tornar a líder mundial de inovação verde ou “Green Innovation Company” em 2018, o centésimo aniversário da empresa.
     Na apresentação do plano, Fumio Ohtsubo, presidente da Panasonic reconheceu que no plano trienal anterior da empresa, o GP3, apenas uma de suas três metas foi alcançada, que era a de reduzir as emissões de CO2 em mais de 300 mil toneladas em 2010, em comparação com a de 2007.
     As metas relacionadas às vendas globais e seu retorno ficaram muito abaixo do estabelecido no plano, o que levou a empresa a reavaliar sua estratégia. Assim, o novo objetivo da Panasonic será tornar-se uma empresa global focada em sistemas de energia ao invés de ser uma empresa japonesa que atua no mercado de eletrônicos. Para tanto, a empresa vai focar em seis segmentos: sistemas de energia, climatização, rede tecnologias audio-visual, saúde, segurança e iluminação LED.
     As tecnologias que a Panasonic adquiriu no final do ano passado da Sanyo, líder mundial em baterias recarregáveis de íons de lítio para veículos híbridos e elétricos, certamente impulsionarão os seus sistemas de energia, mas a empresa também planeja atuar em células solares, células de combustível e os sistemas de gestão que podem se conectar para gerar e armazenar energia.
     A nova estratégia da Panasonic consiste em reduzir os impactos da própria empresa e ao mesmo tempo possibilitar que suas tecnologias ajudem indivíduos e empresas a utilizarem menos recursos. Para isso, ela firmou uma meta de redução gradual das emissões de CO2 de suas fábricas e pretende chegar a resíduo zero em 2019. Além disso, busca aumentar a eficiência energética dos seus modelos de monitores de LCD e de televisão LED.
     O anúncio da nova estratégia da Panasonic aconteceu menos de um mês depois de outra empresa japonesa centenária de eletrônicos, a Hitachi, lançar um plano de transição para tecnologias “verdes” para permanecer à tona.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=aEKzo4xHU5I&feature=player_embedded

Precificar a biodiversidade

     Criar um valor financeiro para a biodiversidade é o melhor caminho para que empresas, comunidades, governos locais e nacionais e organismos internacionais assumam a tarefa de proteger o meio ambiente, usem os recursos naturais de maneira sustentável e lucrem com isso, disse o economista indiano Pavan Sukhdev, coordenadordo estudo “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (TEEB, na sigla em inglês) .
     “Apesar da boa vontade e da legislação, continuamos a destruir a biodiversidade, porque não olhamos para os benefícios da conservação em termos econômicos “, afirmou Sukhdev durante visita à Confederação Nacional das Indústrias. Como a natureza não cobra pelos “serviços prestados” (água potável, nutrientes do solo, sol, vento) empresas e pessoas dão como garantida a continuidade eterna desses recursos.
     Mas o ponto fundamental não é pagar pelo uso dos recursos, mas sim calcular um valor do que se preserva, do que se desperdiça, do que se destrói e adicionar aos ativos das empresas e às contas nacionais de um país tuydo o que é sustentado em seu estado natural. “É um bem que a empresa ou o país tem, então precisa ser contabilizado. Quando o for, será dado à natureza o devido valor”, disse.
     Como efeito, a preservação e valoração do meio ambiente criam mais empregos. No mundo todo, há 2,2 milhões de pessoas empregadas na indístria de petróleo e gás, que fornecem cerca de 85% a 90% da energia do planeta. Hoje, as fontes de energias renováveis, como eólica e solar, já empregam 2,3 milhões de trabalhadores, revelou Sukhdev.
     Economista sênior do Deutsche Bank, Sukhdev garantiu haver muitas oportunidades de negócios relacionados à preservação da biodiversidade. O capítulo do TEEB dedicado ao setor de negócios, indica que as vendas globais de alimentos e bebidas orgânicas somaram US$ 46 bilhões em 2007, três vezes mais do que em 1999; entre 2008 e 2009, o mercado global de produtos pesqueiros com rótulo ecológico aumentou mais de 50%, tendo atingido US$ 1,5 bilhão. O relatório estima que, em 2020, os produtos agrícolas certificados terão um mercado de US$ 210 bilhões, ante US$ 40 bilhões hoje.